ABASTECIMENTO DE ÁGUA COM ÊNFASE EM DESINFECÇÃO

ABASTECIMENTO DE ÁGUA


1. A importância da água na vida humana

A fixação do homem em uma determinada região está intimamente ligada a disponibilidade quantitativa e qualitativa de três elementos fundamentais para sua sobrevivência: o alimento, o ar e a água.
Foi esta necessidade que nele fixou a tendência natural de se estabelecer próximo aos cursos d' água, pois dos três elementos vitais é a água que não se encontra distribuída uniformemente, como o ar, e que não pode ser fabricada, como os alimentos.
A água constitui, portanto, um elemento essencial à vida animal e vegetal. Seu papel no desenvolvimento da civilização é reconhecido desde a antigüidade. O homem tem necessidade de água de qualidade adequada e em quantidade suficiente, não somente para proteção de sua saúde, como também para seu desenvolvimento econômico.

2. Formação da água na natureza - Ciclo Hidrológico

É o caminhamento da água desde a atmosfera, passando pelas fases a seguir apresentadas, até retornar de novo à atmosfera.

Precipitação: a água evaporada dos mares, lagos, pântanos, rios, vegetais e animais produz as nuvens, que alcançando regiões frias se condensam e precipitam em forma de chuva.
Escoamento superficial: a água de chuva, ao cair, parte escorre sobre a superfície da terra, formando enxurradas que atingem os rios, os mares, etc..
Infiltração: parte da chuva se infiltra na terra, unindo-se às infiltrações dos lagos, rios, formando os aqüíferos subterrâneos artesianos e freáticos.
Escoamento subterrâneo: os aqüíferos subterrâneos formam as nascentes, fontes, minas, poços.
Evaporação: parte da chuva, ao cair no solo aquecido, se evapora.


3. Classificação das Águas Naturais

Segundo o ciclo hidrológico, temos águas:

Meteóricas: chuvas, neve, granizo.
Superficiais: rios, ribeirões, lagos naturais ou artificiais, reservatórios de acumulação, etc...
Subterrâneas: A camada que contém água subterrânea se chama aqüífero. Existem dois tipos de aqüíferos: freático e artesiano. Freático é aquele em que a superfície da água se encontra à pressão atmosférica. Artesiano é aquele em que a superfície da água se encontra à pressão maior que a atmosférica. Os poços que atingem o aqüífero freático são denominados poços rasos, e aqueles que atingem o aqüífero artesiano são os poços profundos ou artesianos. Portanto, as águas subterrâneas são provenientes do lençol freático, do artesiano e de fontes.

4. Qualidade da Água

A água não é encontrada pura na natureza. Ao cair em forma de chuva, já carreia impurezas do próprio ar. Ao atingir o solo seu grande poder de dissolver e carrear substâncias altera ainda mais suas qualidades.
Dentre os materiais dissolvidos, encontram-se as mais variadas substâncias como, por exemplo, substâncias com cálcio e magnésio que tornam a água dura; substâncias com ferro que dão cor e sabor diferentes à mesma e substâncias resultantes das atividades humanas, tais como produtos industriais, que a tornam imprópria ao consumo. Por sua vez, a água pode carrear substâncias em suspensão, tais como partículas finas dos terrenos por onde passa e que dão turbidez à mesma; pode também carrear substâncias vivas, como algas, que modificam seu sabor, ou ainda, quando passa sobre terrenos sujeitos à atividade humana pode levar em suspensão microorganismos patogênicos.

Para definir a qualidade da água, vários termos são utilizados:

Água potável: é a própria para consumo humano;
Água poluída: é a que apresenta alterações nas suas características físicas, químicas e bacteriológicas;
Água desinfetada: é a que por técnica apropriada foi tornada isenta de organismos patogênicos;
Água esterilizada: é a que por técnica apropriada foi tornada isenta de organismos vivos;
Água suspeita: é a que pode estar poluída;
Água turva: é a que possui partículas em suspensão;
Água ácida: é a que possui teor acentuado de gás carbônico e ácidos, apresenta pH baixo;
Água alcalina: é a que possui quantidade elevada de bicarbonatos, carbonatos ou hidróxidos e apresenta pH elevado;
Água mineral: é a água subterrânea contendo quantidade acentuada de substâncias em solução que lhe dão valor terapêutico, tais como: sais de ferro e sais neutros de magnésio, potássio e sódio;
Água termal: é a mineral que atinge a superfície com temperatura elevada;
Água radiativa: é a água mineral ou termal possuidora de radiatividade;
Água salgada: água dos oceanos e mares com elevado teor de cloreto de sódio;
Água salobra: água que possui dureza. Costuma-se dar essa denominação também para as águas que contêm teor alto de cloreto de sódio (sal de cozinha).

5. Impurezas

O conceito de impureza da água é relativo. Ele está ligado ao uso específico para o qual a água se destina. Assim, impurezas que têm pequena importância na água de lavagem de ruas podem ser fundamentais na água usada como bebida.As impurezas mais encontradas nas águas de abastecimento são:

1. Em Suspensão:
Bactérias;
Areia, silte e argila;
Resíduos industriais e domésticos

2. Dissolvidas:
Sais de cálcio e magnésio;
Sais de sódio;
Ferro;
Manganês;
Gases (oxigênio, CO2, etc.).

Além dessas substâncias, as águas apresentam:

Substâncias de interesse especial: flúor, iodo e substância radiativa;
Substâncias que podem causar envenenamento: arsênio, cromo, cobre, chumbo, etc.;
Substâncias que em excesso têm efeito laxativo: magnésio, sulfatos e sólidos totais.

6. Padrões de Aceitação para o Consumo Humano

A água própria para o consumo humano, ou água potável, deve obedecer a certos requisitos de ordem:

Física: ser de aspecto agradável, não possuir sabor e odor objetáveis, não ter cor e turbidez acima dos limites estabelecidos nos padrões de potabilidade;
Química: não conter substâncias nocivas ou tóxicas acima dos limites de tolerância para o homem;
Biológica: não conter microorganismos patogênicos;
Radioativa: não ultrapassar o valor de referência previsto na Portaria 518 do Ministério da Saúde, de 25.03.2004;
PH: deverá ficar situado no intervalo de 6,0 a 9,5;
Cloro residual: concentração mínima de cloro residual livre em qualquer ponto da rede de distribuição, deverá ser de 0,2mg/l.

As exigências humanas quanto à qualidade da água crescem com o progresso humano e o da técnica. Justamente para evitar os perigos decorrentes da má qualidade da água, são estabelecidos padrões de potabilidade. Estes apresentam os Valores Máximos Permissíveis (VMP) com que elementos nocivos ou características desagradáveis podem estar presentes na água, sem que esta se torne inconveniente para o consumo humano.

Características Físicas

A água deve ter aspecto agradável. A medida é pessoal;
Deve ter sabor agradável ou ausência de sabor objetável. A medida do sabor é pessoal;
Não deve ter odores desagradáveis ou não ter odor objetável. A medida do odor é também pessoal;
A cor é determinada pela presença de substâncias dissolvidas na água e não afeta sua transparência;
A turbidez é devida a matéria em suspensão na água (argila, silte, matéria orgânica, etc.) e altera sua transparência.

Características Químicas

São fixados limites de concentração por motivos de ordens sanitária e econômica.

Substâncias relacionadas com aspectos econômicos:
Substâncias causadoras de dureza, como os cloretos, sulfatos e bicarbonatos de cálcio e magnésio. As águas mais duras consomem mais sabão e, além disso, são inconvenientes para a indústria, pois se grudam nas caldeiras e podem causar danos e explosões.

Substâncias relacionadas com o pH da água:
A água de baixo pH, isto é, ácida, é corrosiva. Águas de pH elevado, isto é, alcalinas, são incrustativas.

Substâncias indicadoras de poluição por matéria orgânica:

Compostos nitrogenados: nitrogênio amoniacal, nitritos e nitratos. Os compostos de nitrogênio provêm de matéria orgânica e sua presença indica poluição.
Oxigênio consumido: a água possui normalmente oxigênio dissolvido em quantidade variável conforme a temperatura e a pressão. A matéria orgânica em decomposição exige oxigênio para sua estabilização; conseqüentemente, uma vez lançada na água, consome o oxigênio nela dissolvido. Assim, quanto maior for o consumo de oxigênio, mais próxima e maior terá sido a poluição;
Cloretos: os cloretos existem normalmente nos dejetos animais.

Características Bacteriológicas

A água é normalmente habitada por vários tipos de microorganismos de vida livre, que dela extraem os elementos indispensáveis à sua subsistência.
Ocasionalmente, são aí introduzidos organismos parasitários e/ou patogênicos que, utilizando a água como veículo, podem causar doenças, constituindo, portanto, um perigo sanitário potencial.
Entre os principais tipos de organismos patogênicos que podem encontrar-se na água, estão as bactérias, vírus, protozoários e helmintos.
Devido à grande dificuldade para identificação dos vários organismos patogênicos encontrados na água, dá-se preferência, para isso, a métodos que permitam a identificação de bactérias do "grupo coliforme" que, por serem habitantes normais do intestino humano, existem, obrigatoriamente, em águas poluídas por matéria fecal.
As bactérias coliformes são normalmente eliminadas com a matéria fecal, à razão de 50 a 400 bilhões de organismos por pessoa por dia. Dado o grande número de coliformes existentes na matéria fecal (até 300 milhões por grama de fezes), os testes de avaliação qualitativa desses organismos na água têm uma precisão ou sensibilidade muito maior do que a de qualquer outro teste.

Observação: "No Brasil os padrões de potabilidade da água para o consumo humano são estabelecidos pelo Ministério da Saúde", atualmente encontra-se em vigor a portaria MS-518/04.

7. Necessidade de implantação de sistema de abastecimento de água

A água é necessária para diversas finalidades entre as quais as de uso doméstico como beber e cozinhar e usos industriais diversos.
Nas zonas rurais, onde a densidade populacional é pequena, todas as necessidades podem ser satisfeitas mediante a escavação ou perfuração de poços ou armazenamento em cisternas da água de chuva.
Nas zonas urbanas onde a densidade populacional é maior, essas fontes de abastecimento nem sempre são suficientes para atender as necessidades de consumo e é preciso recorrer a lagos, rios, represas, etc.
Em contra partida a utilização dessa água em grande quantidade irá possibilitar a poluição dos mananciais locais, através do lançamento dos despejos, tornando-a inadequada ao consumo humano.
Desta forma, a importância do abastecimento de água deve ser encarada sob os aspectos sanitário e econômico e sua qualidade e quantidade, a ser utilizada no sistema, está intimamente relacionada às características do manancial.

Importância Sanitária do Abastecimento de Água:
Controlar e prevenir doenças;
Implantar hábitos higiênicos na população;
Facilitar a limpeza pública;
Implementar práticas desportivas;
Proporcionar conforto e bem estar.

Importância Econômica do Abastecimento de Água:
Aumentar a vida média pela diminuição da mortalidade;
Aumentar a vida produtiva, prolongando a vida média e diminuindo o tempo perdido com doenças;
Implantação de indústrias;
Desenvolvimento do turismo;
Facilitar o combate de incêndio.

Através dos tempos, aprimorando uma tecnologia em constante desenvolvimento, o homem concebeu, projetou e construiu este complexo sistema de engenharia ambiental que é o sistema urbano de abastecimento de água, com o qual capta, transporta, acumula, trata (se preciso) e distribui este líquido precioso para suas comunidades.

8. Solução para abastecimento de água

Basicamente, existem dois tipos de solução para o abastecimento de água:

Solução Coletiva;
Solução Individual.


A solução coletiva aplica-se, em áreas urbanas e áreas rurais com população mais concentrada. Os custos de implantação são divididos entre os usuários.
A solução individual aplica-se, normalmente, em áreas rurais de população dispersa. Nesse caso, as soluções referem-se exclusivamente ao domicílio, assim os respectivos custos. Em áreas com características rurais ou mesmo em áreas de população mais concentrada, pode-se utilizar uma combinação dessas duas soluções, onde algumas partes, como o manancial ou a reservação, são de caráter coletivo, sendo a distribuição de água de caráter individual.

9. Mananciais para Abastecimento de Água

É toda fonte de água utilizada para abastecimento doméstico, comercial, industrial e outros fins. De maneira geral, quanto à origem, os mananciais são classificados em:

Manancial Superficial

É toda parte de um manancial que escoa na superfície terrestre, compreendendo os córregos, ribeirões, rios, lagos e reservatórios artificiais.
As chuvas, logo que atingem o solo, podem se armazenar nos lagos e represas, ou alimentar os cursos d'água de uma bacia hidrográfica, se transformando em escoamento superficial. Outra parcela se infiltra no solo.
A bacia hidrográfica é uma área da superfície terrestre, drenada por um determinado curso d'água e limitada perifericamente pelo divisor de águas.
O termo bacia hidrográfica não está limitado pela extensão da área. Tanto pode ser a bacia hidrográfica do Rio Amazonas, como a bacia hidrográfica do Córrego do Zé Mané, com poucos kilômetros de área total.

Manancial Subterrâneo

É a parte do manancial que se encontra totalmente abaixo da superfície terrestre, compreendendo os lençois freático e profundo, tendo sua captação feita através de poços rasos ou profundos, galerias de infiltração ou pelo aproveitamento das nascentes.

Águas Meteóricas

Compreende a água existente na natureza na forma de chuva, neve ou granizo.

10. Partes de um sistema de abastecimento de água

Um sistema de abastecimento de água compreende obras e equipamentos capazes de captar, condicionar convenientemente, transportar, tratar, acumular e distribuir a água, que se encontra nos principais mananciais, aos consumidores (população).

São as seguintes as fases de um sistema:

Captação - Tomada d'água, obras, equipamentos e canalizações destinadas a retirar água da fonte de suprimento.
Adução - Obras, equipamentos e canalizações para transporte de água bruta ou de água tratada.
Tratamento - Obras, equipamentos e canalizações para purificação da água.
Acumulação ou reservatórios - obras equipamentos e canalizações para reservar água a fim de distribuir para os centros de consumo.
Distribuição - obras, equipamentos e canalizações destinadas a distribuir a água aos centros de consumo. Fases do tratamento de água:

ESTAÇÃO DE TRATAMENTO - ESQUEMA DE TRATAMENTO DA ÁGUA

BREVE DESCRIÇÃO DAS ETAPAS DO TRATAMENTO

CAPTAÇÃO: retirada da água do manancial.GRADEAMENTO: passagem da água captada por grades, visando a remoção de material grosseiro, semelhante ao lixo.DESARENAÇÃO: passagem da água pelo desarenador (caixa que retém a areia pelo processo de Sedimentação).
FLOCULAÇÃO: etapa na qual a água é agitada lentamente para a formação dos flocos.
DECANTAÇÃO: etapa na qual os flocos afundam separando-se da água.
FILTRAÇÃO: etapa que retêm os flocos que não afundaram no decantador.
DESINFECÇÃO, CORREÇÃO DE PH, ADIÇÃO DE FLÚOR: eliminação de microorganismo causadores de doença, equilíbrio do pH tornando o pH da água neutro e prevenção da cárie dentária, no reservatório de contato.DISTRIBUIÇÃO: após o tratamento, a água é distribuída para toda a população, através das redes.

FUNÇÃO DOS PRODUTOS QUÍMICOS UTILIZADOS NO PROCESSO DE TRATAMENTO

SULFATO DE ALUMÍNIO: Substância que agrega as partículas de sujeira que estão na água.
CAL: Produto que corrige o pH da água.
CLORO: Substância que mata as bactérias e microorganismos presentes na água.
FLÚOR: Substância que auxilia na redução das cáries dentárias.

11. Desinfecção

Desinfectar uma água significa eliminar os microorganismos patogênicos presentes na mesma.
Tecnicamente, aplica-se a simples desinfecção como meio de tratamento para águas que apresentam boas características físicas e químicas, a fim de garantir seu aspecto bacteriológico. É o caso das águas de vertentes ou nascentes, águas de fontes ou de poços protegidos.
Na prática, a simples desinfecção, sem outro tratamento, é aplicada muito freqüentemente.
Em épocas de surtos de doenças a água de abastecimento público deve ter a dosagem de desinfectante aumentada. Em casos de emergências deve-se garantir, por todos os meios, a água de bebida, sendo que a desinfecção, em alguns casos, é mais prática que a fervura.

A desinfecção da água pode ser efetuada através de diversos meios físicos ou químicos:

Ebulição: para obter-se uma água perfeitamente desinfetada, esta deve ser fervida por um minuto..
Raios ultra-violetas: a eficácia da desinfecção usando-se esta técnica, está intimamente ligada à qualidade da água que será tratada. Para tanto, deve ser usada somente em casos muito particulares. Além disso, deverá ser considerado que este tratamento não tem efeito residual e, por outro lado não gera nenhum sub-produto.
Processos químicos: os reagentes químicos mais comuns são, o cloro e seus derivados e o ozônio junto com o bióxido de cloro. De todos eles, o cloro em forma de cloro gasoso, de hipoclorito de sódio (água de Javel) ou de hipoclorito de cálcio (em pó e pastilha), é o biocida mais empregado e o mais antigo.

Cloro:
Além desta aplicação, o cloro é também usado no tratamento de águas para:

Eliminar odores e sabores;
Diminuir a intensidade da cor;
Auxiliar no combate à proliferação de algas;
Colaborar na eliminação de matérias orgânicas;

O cloro é o desinfectante mais empregado e é considerado bom, porque realmente age sobre os microorganismos patogênicos presentes na água;
Não é nocivo ao homem na dosagem requerida para desinfecção;
É econômico;
Não altera outras qualidades da água, depois de aplicado;
É de aplicação relativamente fácil;
Deixa um residual ativo na água, isto é, sua ação continua depois de aplicado;
É tolerado pela grande maioria da população.

O cloro é aplicado na água por meio de dosadores, que são aparelhos que regulam a quantidade do produto a ser ministrado, dando-lhe vazão constante.
Pode ser aplicado sob a forma gasosa. Nesse caso, usam-se dosadores de diversos tipos. O acondicionamento do cloro gasoso é feito em cilindros de aço, com várias capacidades de armazenamento.
Pode ainda ser aplicado sob a forma líquida, proveniente de diversos produtos que libertam cloro quando dissolvidos na água. Os aparelhos usados nesse caso são os hipocloradores e as bombas dosadoras.
Os produtos de cloro mais empregados, suas vantagens e desvantagens estão indicados na tabela abaixo.

Compostos e Produtos de Cloro para Desinfecção de Água


Hipoclorito de Sódio NaOCl 10-15% Solução aquosa, alcalina, de cor amarelada, límpida e de odor característico. Recipientes opacos de materiais compatíveis com o produto. Volumes variados. 1 (um) mês. Decompõe-se pela luz e calor, deve ser estocado em locais frios e ao abrigo da luz. Hipoclorito de Sódio.

Hipoclorito de Cálcio Ca(OCl)2 Superior a 65% Coloração branca, pode ser em pó ou granulado. Recipientes plásticos ou tambores metálicos com revestimento. 6 meses Hipoclorito de Cálcio

Cloro Cl2 100% Gás liquefeito sob pressão de coloração verde amarelado, e de odor irritante. Cilindros verticais de aço de 68kg e horizontais de 940kg. Cloro Gasoso.

Cal Clorada CaOCl 35 - 37% Pó branco. Embalagens de 1 a 50 quilogramas. Sacos de polipropileno. Manter em local seco e ao abrigo da luz Pouco estável. Perda de 10% no teor de cloro ativo a cada mês. Cloreto de Cal.

Água Sanitária Solução aquosa a base de hipoclorito de sódio ou de cálcio 2 - 2,5% durante o prazo de validade. Solução de coloração amarelada. Embalagem de 1 litro, plástico opaco. Verificar no rótulo do produto. Água sanitária ou Água de Lavadeira.

Observação: Todos os produtos citados acima devem ser manuseados com equipamentos de proteção individual (EPI's)No passado, a utilização do cloro baseava-se na idéia da existência de uma relação entre as doenças de origem hídrica e o mau cheiro da água (cheiro "séptico"). Embora tenha precedido à descoberta das bactérias responsáveis pela contaminação da água, a remoção de cheiro pelo cloro mostrou-se muito eficaz. Esta descoberta contribuiu para manter a crença de que o cheiro era gerador de doenças. Foi por esta razão que, as primeiras normas faziam referência às características físicas da água: "a água deve ser límpida e isenta de cheiro, sabor e cor".Somente a partir de 1880, é que a origem microbiológica das doenças de transmissão hídrica foi descoberta e explicada a ação bactericida do cloro.A generalização da cloração das águas na Europa fez desaparecer, em um grande número de países, as epidemias de febre tifóide e de cólera. Na América Latina, esta ainda é uma meta a ser alcançada já que, sua cobertura de desinfecção somente chega aos 60%.A desinfecção pelo cloro é a maior garantia de uma água microbiologicamente seguraA concentração de cloro e o tempo de contato água-cloro são os principais elementos que determinam a boa desinfecção. A qualidade da água a ser tratada merece atenção para determinar-se à correta concentração e tempo de contato.

11.1.-Os sub-produtos da desinfecção A adição de cloro, à águas ricas em matéria orgânica, dá lugar a reações químicas específicas. Em particular, a amônia, o ferro, o manganês e os sulfetos, reagem com o cloro.
Desde 1974, que reações secundárias mais complexas têm sido identificadas, em particular com alguns tipos de matéria orgânica naturalmente presentes nas águas. Como resultado destas reações secundárias, formam-se determinadas moléculas químicas designadas por "organoclorados". Ensaios laboratoriais revelaram que algumas destas substâncias são cancerígenas para os animais.
No entanto, à luz destes conhecimentos, certos países adaptaram suas normas levando em consideração os riscos a longo prazo associados aos sub-produtos da desinfecção.
Em certos casos, isto levou à substituição do cloro por outros desinfetantes químicos como o dióxido do cloro ou o ozono. Recentemente, outros trabalhos evidenciaram que também estes produtos levam à formação de moléculas que apresentam riscos a longo prazo.
No entanto, todos os conhecimentos disponíveis atualmente, relativos às reações secundárias provocadas pelos reagentes usados na desinfecção da água é o tratamento prioritário em qualquer caso.
Neste sentido deve-se adotar os seguintes objetivos:" Privilegiar a utilização de recursos naturalmente protegidos, em detrimento de águas subterrâneas vulneráveis ou de qualidade duvidosa ou de águas superficiais cuja qualidade exija, eventualmente, a aplicação de tratamentos complexos.
" Assegurar o melhor pré-tratamento possível da água com vistas a eliminar a máxima quantidade de matéria orgânica.
" Manter ou introduzir tratamentos de desinfecção sempre que necessário. A DETECÇÃO DE SUB-PRODUTOS DA CLORAGEM NÃO DEVE, EM NENHUMA CIRCUNSTÂNCIA, LEVAR À REDUÇÃO OU, O QUE SERIA AINDA PIOR, À INTERRUPÇÃO DESTE TRATAMENTO.11.2.-Aspectos técnicosA água potável pode obter-se, quer diretamente, a partir de uma origem de água subterrânea de elevada qualidade e bem protegida, quer por utilização de uma água não potável, posteriormente submetida a uma série de tratamentos apropriados que reduzam a concentração dos poluentes a um nível que não apresente riscos para a saúde.Cada etapa do tratamento representa um obstáculo à transmissão de infecções. Os tratamentos que precedem a desinfecção final deveriam já ser capazes de produzir uma água de boa qualidade microbiológica, constituindo a desinfecção final a última barreira de segurança.A desinfecção pode constituir o único processo de tratamento quando se trate de águas subterrâneas límpidas e bem filtradas pelo solo.

11.2.1. Comportamento do cloro na águaQuando o cloro é adicionado à água, diferentes reações químicas vão, sucessivamente, sendo produzidas. Convém, então, que estes mecanismos sejam perfeitamente conhecidos e compreendidos antes de implementar um processo de desinfecção:FASE AB: O Cloro introduzido na água é imediatamente consumido pela matéria orgânica. A quantidade residual medida será, portanto, nula. Enquanto estes compostos não forem completamente destruídos não ocorrerá qualquer desinfecção.FASE BB': A partir do ponto B, o cloro combina-se com os derivados de nitrogênio (amônia, nitratos, nitritos). Uma quantidade de cloro residual pode, então, ser medida. Esta concentração não corresponde a do cloro realmente ativo mas à das cloraminas que, como o cloro, reagem com os produtos utilizados nos aparelhos de medida. As cloraminas são produtos orgânicos complexos, muitas vezes de cheiro forte e com fraco poder desinfetante.FASE B'C: Quando se adiciona mais cloro, observa-se que a quantidade de cloro residual medido pelos aparelhos clássicos de medição diminui. Na realidade, o cloro introduzido serviu para destruir os compostos formados durante a fase BB. A água não apresenta cheiro forte mas, continua contaminada.A partir do ponto C, o cloro adicionado está, por fim, disponível para desempenhar o seu papel de desinfetante.Concluindo, os primeiros miligramas de cloro aplicados não garantem a desinfecção. Com efeito, antes que o cloro possa ser realmente eficaz, uma quantidade variável de desinfetante deve ser injetada de forma a que, todas as reações químicas secundárias tenham lugar: esta quantidade é designada por carência de cloro.A desinfecção deve realizar-se em águas de boa qualidade química (em que a carência de cloro é baixa) para que seja possível limitar ao máximo as reações secundárias geradoras de sub-produtos. Além disso, a presença de partículas de pequenas dimensões em suspensão na água protege os microorganismos da ação desinfetante do cloro.Por exemplo, pode ser necessário, algumas vezes, aplicar 5 ou 10 mg de cloro por litro de água para obter, no final do tratamento, 0,5 mg/l de cloro ativo, uma vez que a parte restante do desinfetante será consumida pelas impurezas e produtos dissolvidos.

COMO CONSEGUIR UMA DESINFECÇÃO EFICAZA desinfecção final tem maior eficácia quando a água é submetida previamente a um tratamento para remoção da turvação e, em particular, de todas as substâncias capazes de reagir e "consumir" cloro. Se estes pré-tratamentos não são, ou não podem ser, implementados ou, ainda, se falharem a qualquer momento, uma supercloração permitirá obter uma desinfecção correta da água mas, como resultado, serão formados sub-produtos da desinfecção.
A quantidade de cloro que deve ser adicionada à água para assegurar a sua desinfecção depende:" Da temperatura da água;
" Do tempo de contato (tempo que decorre entre a injeção de cloro e a utilização da água);
" Do teor residual de desinfetante pretendido na rede de distribuição.Desde um ponto de vista geral, a desinfecção será eficaz quando se cumpram os parâmetros descritos no seguinte quadro: Parâmetros técnicos com influência na eficácia da desinfecção


Turvação < 0,5 UNT
pH < 8,0
Tempo de contato > 30 minutos
Cloro residual livre > 0,5 mg/lÉ essencial que o tratamento que precede a desinfecção final produza uma água cuja turvação não exceda, em média, 1 UNT e que nenhuma amostra simples exceda 5 UNT.Este requisito é vital pois alguns dos parasitas tradicionais (Giárdia) não são destruídos pela desinfecção. A eliminação só pode conseguir-se através de uma filtração eficaz, quer naturalmente, quer inserida numa cadeia de tratamento. A acidez ou alcalinidade da água influencia a desinfecção pelo cloro. Uma água alcalina (pH > 8) só pode ser desinfetada de forma eficaz por supercloração.O efeito desinfetante do cloro não é imediato. De fato, deve ser assegurado um tempo de contato mínimo de 30 minutos, entre a água e o desinfetante, antes do consumo da água.

A supervisão e a manutenção das instalaçõesOs equipamentos, e em especial o funcionamento dos aparelhos de desinfecção, devem ser objeto de uma atenção permanente:
" Inspeção, se possível, diária da planta de tratamento;
" Medição do cloro residual várias vezes ao dia, durante o tratamento e na rede;
" Registro das intervenções ou incidentes ocorridos durante a operação da rede.As inspeções se multiplicarão no caso de circunstâncias especiais: contaminação da fonte de água, chuvas intensas, inundações etc..Esta supervisão deve ser realizada por pessoal qualificado e treinado para efetuar medições e controles no terreno.CONTEÚDO DO CLORO RESIDUALÉ muito importante que exista cloro livre em todos os pontos da rede de distribuição de água: em acréscimo à ação bactericida da água tratada desta forma, o fato de ser encontrado cloro na água, demonstra que não houve introdução de matéria orgânica nem de micróbios que tenham consumido o cloro durante o tratamento. Ao contrário, a ausência anormal do desinfetante na rede deve levar os responsáveis à aplicação imediata de medidas de emergência.
A quantidade de cloro residual é, por conseguinte, um sinal de alarme eficaz, imediato e barato, que permite monitorar a evolução da qualidade microbiológica na rede.A melhor maneira de assegurar-se de que sempre exista uma quantidade satisfatória de cloro residual, é fazer com que, a quantidade de desinfetante introduzida dependa da concentração medida na rede. Em algumas redes de grandes extensões, pode ser difícil manter a quantidade adequada de cloro residual em todos os pontos. Nestes casos, pode ser necessário fracionar a dosagem do cloro em diferentes pontos da rede.

12. Aspectos regulamentares e normativos

Geralmente, as autoridades locais não têm a seu cargo a regulamentação de normas de qualidade. Mas, por outro lado, é muito importante que entendam os aspectos técnicos que os governos centrais consideram para a adoção das normas e, que saibam interpretar os resultados de uma análise de laboratório.Há vários aspectos que deverão ser levados em consideração:
" as normas de qualidade microbiológica que permitem assegurar que a água está isenta de contaminação;
" as normas relativas às concentrações de desinfetante;
" as normas relativas aos sub-produtos da desinfecção.Normas microbiológicas
A água destinada ao consumo humano não deve conter microorganismos patógenos. Para assegurar-se de que a água está isenta de contaminação fecal e, de que foi realizada uma boa desinfecção, são utilizados "microorganismos indicadores".Normas relativas à concentração de desinfetante
O cloro dá um sabor à água. Dependendo dos países e dos hábitos dos consumidores, a "concentração de cloro residual tolerada" pode apresentar grande variação." Na EUROPA, a maioria dos países limita este conteúdo a um nível muito baixo, da ordem de 0,1 mg/l;
" Nos ESTADOS UNIDOS e na AMÉRICA em geral, onde o sabor do cloro equivale à garantia de uma água de qualidade, o valor passa a 1,0 mg/l.
" A OMS considera que uma concentração de 0,5 mg/l de cloro livre residual na água, depois de um tempo de contato de 30 minutos, garante uma desinfecção satisfatória.
Por outro lado, a OMS salienta de que não se observa nenhum efeito nocivo à saúde no caso de concentrações de cloro livre que cheguem a 5,0 mg/l. Esta concentração foi considerada como valor guia, não um valor a ser alcançado.Normas para os sub-produtos da desinfecção Os sub-produtos da desinfecção são geralmente designados, nas normas, por trihalometanos, abreviadamente THM.
A União Européia, em 1980, não previu qualquer regulamentação para estes compostos. Era simplesmente referido que o teor de THM devia ser o mais baixo possível. Certos países têm, no entanto, introduzido na sua legislação normas para estas substâncias.